Prólogo
Combatemos o bom combate
Em 20 de maio de 2019, meu pai terminou sua jornada.
Ele era aquele homem forte que eu conhecera durante toda a vida. Trabalhador. Durão. Caseiro. Gostava de visitar os irmãos, conversar sobre política, ouvir piadas — embora não fosse muito bom em contá-las. Depois que minha mãe faleceu, fazia os próprios doces: mamão, figo, laranja e até de tronco de mamoeiro.
Esse era meu pai. Antes de ser paciente. Antes de Parkinson. Antes de AMS.
Vieram internações, profissionais diferentes, novas rotinas, novas responsabilidades. Eu estava simplesmente tentando fazer o melhor que conseguia — e me vi sendo pai de meu pai.
Com o tempo, conversando com outras famílias, percebi: cada jornada era diferente. Mas alguns problemas se repetiam. Pessoas recebiam diagnósticos sem saber exatamente o que perguntar.
Este método nasce da experiência. Mas não pretende transformar minha experiência em regra. Existe para ajudar uma pessoa e sua rede a não enxergarem sua história em pedaços.
E começa com uma pergunta — talvez a mais importante de todas:
Onde estou hoje?
